Dia 9 – Ancestralidade

 

Para entender ancestralidade no druidismo moderno é preciso ter ciência que para nós este conceito extrapola os laços da consanguinidade e abarca nossos corações e espíritos, bem como a terra e o lugar que vivemos.

Temos então ancestralidade de sangue, de espírito e da terra.

A mais simples de explicar é o de sangue.

São teus parentes, aqueles que você gostando ou não se juntaram para lhe dar origem, pais, avós, bisávos e por aí vai.algo importante a ser levado em conta é: você não precisa necessariamente gostar deles, contudo há de se honra-los, no sentido de lembrar que através deles você existe, e lembrar-se sempre do porquê não gostastral em específico, afim de ser um guia de conduta para sua vida, para evitar os mesmos erros, atitudes, posturas ou a falta destes.

Mas ha algo que poucos se dão conta nesta ancestralidade, pense antes de teus pais, ha um primeiro ancestral a ser levado em conta.

Faça um exercício: lembre-se de algum episodio de tua infância. Agora pense aquela criança ainda existe? A resposta mais provável é Não. Ela pode estar em você, ser parte de ti, pode tê-los levado a ser o que são hoje. Mas não é mais você.

Seu primeiro ancestral é você mesmo. Reverenciamos (ou deveríamos) os que vieram antes, mas com que frequência nos esquecemos de nos próprios, é gratificante parar para se autoanalisar e constatar os fatos, pessoas, eventos que transformaram a criança no ser que você olha no espelho todo dia. E rever tuas escolhas posturas, erros e acertos e saber que eles estão te levando ao ser que é , e se levarão ao ser que no futuro, gostaria de ser. Toda vela projeta uma sombra e as mais brilhantes também tem as sombras mais densas, “mau” e “bem” todos temos, mas o que vai nos posicionar na vida  são as atitudes que tomamos, e destas pavimentar nossos futuro, com o tempo seremos ancestrais de outros e é preciso analisar qual o legado que queremos deixar.

Se ainda não fez esta reflexão faça. Vai se surpreender com o resultado.

A ancestralidade de espirito é mais complexa, é aquela em que você se liga pela afinidade, pelos ideais e idéias, muitas vezes não se conhece fisicamente a pessoa ou  lugar, que nos inspiram ,mas ha esta conexão inexplicavelmente forte e bela, são aqueles que nos influenciam, tendencionam e não apenas em relação ao caminho espiritual e sim de nossos caminhos como um todo, nossa vida de forma geral. Amigos, professores, autores, músicos, poetas, livres pensadores, todos contribuem de uma forma ou de outra com a formação de nosso caráter, nossa personalidade e gostos,dizem que os amigos são a família que escolhemos, pura verdade.

A terceira das ancestralidades é a de lugar.

O local que você reside já foi um sonho ou um projeto, já se deram conta disso?Alguém parou planejou, economizou, investiu para que sua casa esteja lá. Tenha sido o acalento do coração de alguém em ter sua casa, como era feito décadas atrás, seja algo absurdamente materialista como uma empreiteira, não importa, há uma historia.

E se tudo isso ocorre com uma casa o que dirá da tua cidade, estado, País; as historias vão se avolumando e ultrapassam a historia humana, pensando nos continentes vemos a historia da terra  suas mudanças, as glaciações e seus antigos habitantes, hoje extintos, recuando ate a própria origem da terra

E o bom nesta amplitude de pensar é ver que somos um  grão de areia, se comparado com a ancestral idade da terra e ao mesmo tempo o quão fantástico é o fato de saber que esse mesmo  grão de areia, já foi poeira estelar.

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Dia 08 – Deuses e Crenças

“ Apenas os Deuses são reais” Neil Gaiman – Deuses Americanos

Como começar um texto sobre os Deuses e minhas crenças?  È como tentar explicar ou descrever o amor por um filho, a aurora boreal ou a criação do mundo.                               Simplesmente não há palavras suficientes, nem adequadas para tal.

Acredito e respeito todos os Deuses e divindades, incluindo os monoteístas, pessoalmente cultuo o panteão celta irlandês, sendo devota de Brigid, Mannannam , Dagda e Morrigan, e embora não seja da cultura celta e sim escandinava, me considero filha de Odin pois ele conservou minha vida num acidente.

Desta forma

Acredito nos Sumérios, Babilonicos e Assírios,em krishna,Durga Kali e todos os Devas.
Creio nos Gregos e Romanos embora tenhamos nossas desavenças.
Nos Orixas que me acolhem como visitante e filha em seus terreiros.
Creio  no Panteão  Egípcio o qual segui durante um tempo e o que abriu minha consciência e vida aos outros deuses e espiritualidades.

Wassail aos Aesires e Vanires  senhores de meu amado, de meu irmão e irmã e em primeira e última instância meus senhores também.

Somente aqueles que  foram salvos pelos Deuses sabem da sua real existência e a partilha deles em sua vida,  pois passa-se a ser habitada por eles, a crer e amar num outro patamar, como disse salva por um pedido desesperado, Wassail Odin para sempre em tuas mãos.E uma vez anos antes de cometer um ato ignóbil, sendo desafiada e axavancada como é o estilo da Grande Rainha, Slante Morrigan.

E creio e amo naqueles que movem minha vida, que fazem o meu sangue ferver, o coração acelerar e a alma brilhar :

Heil Tuatha de Dana, Senhores das artes da tribo de Danu, da minha saudosa ilha esmeralda, do sol dourado que banha Eire.                                                                                        Heil Morrigan grande rainha  mãe e senhora minha,  eterna guardiã, que me deu novo sopro com teu desafio, que me salvou de mim mesma, Soberana que nos conduz a vitória, se coragem temos em se entregar a nova vida e a ti.                                                                             Salve Mannanan MacLyr senhor de nossos caminhos e origem, grande Deus que habita o mar, líquido preciso e precioso da dádiva da vida e a ela, ele nos concede e guia.
Heil Lugh senhor de todas as artes, rei eterno da lança inescapável, luz do sol que nos envolve cálido com seus dons, nos faz a frente de si e de nós, testando nossos limites.
Ogma senhor dos oráculos misteriosa para mim é tua figura, doces suas palvras, pungentes teus ensinamentos.
Brigit brilhante senhora, mãe afável e bela que tua ciência cure o mundo, que teu sopro nos inspire o melhor.                                                                                                                               Dagda bom Deus, senhor soberano em Eire, gentil seu toque, voraz teu apetite, grandes tuas realizações.

Senhores da Era de ouro, da época da luz e sabedoria, da Honra e das conquistas, tragam através de nós que seguimos o caminho a forma e a força para sermos íntegros de coração e alma.

E se os Deuses vivem de acordo com a crença que de nós se nutrem;
De mim nunca fenecerão.

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Dia 7 – Prática Diária

Hoje para falar do tema prática diária, não vou colocar nenhuma espécie de ritual ou ação cotidiana, melhor que isso, colocarei uma reflexão minha que escrevi há uns 2 anos atrás, que ao menos para mim exemplifica perfeitamente a prática diária e como ela pode ser absolutamente sutil as vezes e uma avalanche em outras.

Manhã de segunda

Hoje como todos os dias acordei me virei ao meu altar e saudei meus Deuses e ancestrais, fui tomar meu café e alguns dias eu lembro,  outros não de agradecer minha parte ao universo, hoje lembrei só agora que escrevo e já reparei a falta.

Mas a percepção de alguns fatos me puseram a pensar, sobre nosso dia-a-dia e isso me inspirou a esta missiva.

Estava a caminho do trabalho  de metrô e trem  com a compania de Omnia, Luar na Lubre, e tantos outros que me seguem em meu MP3, fiquei observando o vai e vem apressado das pessoas, com seus ternos, gravatas, tailleur, notbooks,Mp3, Ifone, Itouch, Ipode, Não pode, Aí fode.
Me peguei pensando em mim, também de social, não tão apressada, mas com minha música predominantemente pagã, em meus ouvidos tocando.
E pensei o que diriam todos os outros se ouvissem o que ouço, ou o que estariam pensando, uma vez que meu multiverso, já estava mais que trabalhando, secretamente em meu Eu.

Fiquei imaginando todos ou universos, macro e micro, dentro de cada uma daquelas pessoas, o que esperavam, porque trabalhavam, quais seus sonhos, suas vidas, afetos e desafetos, anseios e satisfações, e em quem seriam realmente, atrás da pompa, da preocupação, do corre frenético da metrópole em nosso dia-a-dia.
Pensei em mim , tão diversa do meu vestuário e que certamente, aparentava mais uma na multidão; quando a verdade é bem diversa.
O que aconteceria se estes mesmos , senhores engravatados e madames bem compostas, se vissem esta que vós escreve, de saia rodada de cetim verde esmeralda, roupas coloridas e véus, ou de boina, cachecol, blusa  moleton e jeans. Discutindo com amigos, a existência de dragões, fadas e legiões. Contando histórias, com deleite nos olhos, e mel na boca, falando das estrelas e de seu brilho como alma nossa.

Quantas máscaras sociais usamos, e no entanto, de certa forma necessárias, pois a sociedade não está pronta para arcar com quem somos, não de verdade. Mas o perigo da máscara como em tantas coisas, é a sua dosagem;, usa-la tanto que se perca a essência de si, não saber mais quem se é, ou nem querer saber, assim devemos estar atentos sempre para quem realmente somos, nossa ligação com os Deuses e nossa espiritualidade, bem como aquilo que nos faz íntegros garantem essa certeza, pois não raro a máscara tão sociavelmente aceita é confortável e podemos nos perder nela.
Por isso, minhas práticas diárias, nem que seja uma passada de olho pelo meu altar, ou vestir a cinta de Brigid, garanto que estes momentos bem como  meus fins  de semana sejam sagrados, para que eu entanda mais de mim mesma. Nestes momentos pulo, brinco, grito, danço, estudo. discuto vida, politica , poesia.

Para não perder de mim mesma a essência que me guia.

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Dia 06 – Local Sagrado

No tema deste dia, espaços sagrados, abordarei algo um tanto inusitado e de imensa importância em relação a local sagrado, todos os meus amigos de dentro do Druidismo,  que estão ou já escreveram os 30 dias já abordaram o tema falando de seus bosques, nemetons, preparação de local antes dos rituais, as florestas e os locais de poder como Brú na boine e Stonehenge.

Falarei do local mais sagrado de todos: Nosso Corpo.

Decidi por esta abordagem, depois de mais uma conversa com mais uma amiga que ela se acha feia, que não se valoriza, que tem vergonha de seu corpo, enfim toda aquela gama de injúrias que nós hoje nos imputamos por estarmos fora do dito padrão, ou de alguma ofensa a  nos feita, não se engane achando que este texto é voltado apenas para mulheres, não é, há muitos homens inseguros e na mesma situação ou pior.

A questão é que todos nós nos esquecemos que o corpo é morada da alma, e que sem corpo não há uma espiritualidade verdadeira sem a utilização da cabeça, tronco, membros, coração, etc. Há hoje uma  urgente e gritante  necessidade de efetuarmos a redenção e reintegração do nosso corpo  como parte integrante de nossa espiritualidade. Dentro do Druidismo, em nossas meditações constantemente “sentimos” o corpo nos centramentos e respirações, nós o sentimos como veículo aquela atividade, mas não o reconhecemos, na maioria das vezes, como parte integrante da ação espiritual. Prova disso está justamente no sentimento de inadequação que a maioria de nós temos, seja por uma baixa estima, seja por uma sobra de ranço cristão que muitos de nós carregamos inconscientemente, tendo vergonha de nossos corpos, de nossa voz, de ser desastrado, enfim nós  não nos assumindo como parte do divino e da natureza, e infelizmente é algo tão dentro de nós, tão entremeado que simplesmente não percebemos como isso pode afetar nossa espiritualidade, pois sem nos sentirmos divinos, como atingir aos Deuses? Como desenvolver plenamente a espiritualidade se não nos enxergamos sagrados?

Eu acredito que grande parte desta desconexão tem haver com o fato  incubado em nós por eras de imputação de culpa,  de que que a matéria ( que vem de mater, por tanto mãe – mãe terra – o feminino tão temido por sua ligação com o selvagem, gestação e o primal) é ligado ao ego, ao errado quando estamos na busca do espírito, ainda que no Druidismo e  algumas outras religiões da terra, consigamos desassociar esta imagem pela integração de nós a terra, como sendo de fato parte de um todo, mas não é consenso e infelizmente não é a maioria das pessoas que conseguem fazer esta junção, mesmo em nosso meio.

Prova disso vemos de diversas formas, aquele amigo que se menospreza, não se achando capaz de fazer X coisa, ou o/a cartomante ou  o/a curandeiro que acha errado cobrar por seus trabalhos, tudo isso é ligado ao repudio da matéria como parte externa ao espiritual e da espiritualidade de forma geral, não a toa pois ainda existe muito de um preconceito velado acerca da importância do corpo na busca pela espiritualidade e talvez alguns casos de pessoas de vida sedentária, obesidade mórbida traduzam exatamente a ignorância de que a única coisa que importa para os Deuses, e consequentemente que deveria importar para nós, é a parte espiritual como uma totalidade matéria e espirito.

Então é momento de nós nos olharmos no espelho e reconhecermos a perfeita morada que temos e somos e que abriga esta incrível essência, totalizando o ser perfeito que cada um é, é momento de nos acolhermos como um ente querido e amado, reconhecer que somos belos acima de qualquer padrão, que somos a eterna veiculação com os Deuses e assim temos para onde quer que formos um local sagrado.

“Nosso corpo é sagrado e carrega o poder , o poder de criar, o poder de transformar, de mudar a vida”

 

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Dia 05 – Elementos

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Para falar dos elementos dentro da cultura celta é preciso se desapegar do conceito de apenas Água, Terra, Fogo e Ar, e compartimentar e abranger outros elementos, pois dentro da cultura celta falamos dos Düile, que são os  9 elementos que compõem o macro e microcosmo, este tema está intrinsecamente ligado ao tema anterior dos 3 reinos, pois 3 elementos dos 9 Düile estão associados a um dos reinos, a saber:

Ar

Céu —> Cabeça                                                                                                                                           Sol —> face                                                                                                                                                Lua —> Mente

Mar

Nuvem —> Cérebro                                                                                                                          Vento —> Respiração                                                                                                                           Mar —> Sangue

Terra

Vegetação —> Cabelo                                                                                                                            Terra —> Carne                                                                                                                                      Rocha —> Osso

Falar dos elementos, como dos três reinos é falar da vida. é falar do macro e microcosmo, pois uma outra associação que podemos fazer com os 9 elementos é correlaciona-los aos três caldeirões. Os 3 caldeirões são os receptáculos de cada indivíduo  que mantém a nossa vida, a ideia dos caldeirões é ligada a um poema chamado “ Caldeirão da poesia” e é atribuído a Amergin, o maior bardo da Irlanda, os caldeirões são:

Goiriath = Aquecimento, ele que mantem nossa chama da vida

Érmai = Movimento ou vocação.

Sois = Sabedoria.

Como dito acima , cada um dos caldeirões tem 3 dos 9 elementos, descrevo abaixo como eu os associo:

Aquecimento: Terra, Sangue e Céu                                                                                       Movimento: Osso, Vento e Sol                                                                                                           Sabedoria: Vegetação, Nuvem e Lua.

Assim unindo os elementos aos três reinos e aos caldeirões temos a chave para nossa existência e a do mundo pois macro e micro cosmos corelacionam –se  e são formados pelos mesmos “ingredientes” .

Termino o texto com uma oração unindo os elementos básicos que nos formam:

“Guia-nos Mannannam senhor das rochas e mares                                                                                 Mares que são regidos pela lua, e dão forma a nossa vida a partir da água salgada,    Salgada como nosso sangue, que como os mares na Terra perfazem a maior parte de nosso corpo.                                                                                                                                                           Corpo parte da Terra, que sangra e jorra como mar para vida nos dá,                                     Terra de Dana, de seu corpo a vegetação que acalanta e encanta, que nos faz respirar o ar.    Ar benfazejo que permeia todos os reinos, que infla meus pulmões com o cheiro e o gosto das arvores que o faz reciclar, ar alimentado pelo fogo,                                                                       Fogo  do coração da Terra e do corpo de  nossa  batalhas,                                                             Fogo do sol e da cura de Brighit, da inspiração e força.                                                                      Força do fogo que aquece as águas, que evapora ao céu, que o  vento e as nuvens levam, torna chuva, que rega a terra e põem  o ciclo a girar.”

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Dia 04 – Três Reinos

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“Os celtas não reconheciam força maior que o céu sobre sua cabeça, a terra sob seus pés e o mar a sua volta.”

De terra, agua e ar é feito nosso mundo e nossos corpos, então deveria ser natural que reverenciássemos aos reinos não apenas como mantenedores de nossa vida, mas como nossos ancestrais, assim falar dos três reinos , é falar da vida como um todo, pois cada reino: Céu, Terra e Mar é complementar um ao outro, e a sua junção forma tudo que conhecemos como planeta no macrocosmo e a nós mesmos no microcosmo, a cada reino é atribuído tipos específicos de vida e uma miríade de divindades, assim tudo que está nos três reinos é sagrado.

Os Irlandeses tem uma palavra para isso Dindshenchas, ou paisagem sagrada.
E a esta paisagem eles respeitavam e reverenciavam, pois não se desassociavam dela, se viam como parte integrante do todo, assim era natural que mantivessem um relacionamento de mútuo respeito e de forma alguma os celtas eram Green Peace  abraçadores de árvores da antiguidade, como apregoam alguns, simplesmente porque não havia este conceito e nem a necessidade dele.
Infelizmente  para nossa sociedade ambos são precisos pois é quase perdido o conceito de sagrado em relação a nossa terra, ar e mares e assim não se há a consideração da vida como sacra, vide a banalização com que é tratada a vida pela mídia, vide o caso de Mariana.

A você, que lê este texto, espero sinceramente que leve estes conceitos a tua vida, pois é preciso uma ressignificação urgente, com nós mesmos, com o planeta e reconhecer a vida de dentro de nós é igual a vida em todo é o princípio.

Fecho este texto com uma oração aos Reinos:

Guia-nos Mannannam senhor dos mares,                                                                                      Mares que dão forma a nossa vida a partir da água salgada,                                                                Salgada como nosso sangue, que como os mares na Terra perfazem a maior parte, assim como em nosso corpo.                                                                                                                                  Corpo parte da Terra, que sangra e jorra como mar para vida  que nos dá,                                      Terra de Dana, mãe nossa como é, a nossa mãe, que acalanta e encanta, que nos faz respirar,                                                                                                                                                  Respirar o ar benfazejo que permeia todos os reinos, ar que infla meus pulmões com o cheiro e o gosto das arvores que o faz reciclar, ar alimentado pelo fogo,                                        Fogo  do coração da Terra e do corpo de  nossa  batalhas,                                                                     Batalhas ganhas pelas armas da forja e da cura de Brighit, da inspiração e força.                       Força deste fogo que aquece as águas, que evapora e o vento leva, torna chuva, que rega a terra que faz o ciclo a girar de volta ao Mar.

 

 

 

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Dia 03 – Natureza

 

Na sequencia digo o motivo que me leva a contar este texto com o tema do dia. É um texto de minha autoria, feito após uma jornada de ayahuasca e que ainda hoje, 5 anos depois de escrito é atual.

RETOMADA

“ Linearmente séculos separam esses eventos, no entanto magica e ancestralmente um oceano une duas nações.

No jovem país a oeste um Rei maculado e sem honra governa, ladeado por homens de conselho e astucia que são seus pares ou pior em vilania e descaso….

…Enquanto isso na velha ilha, a vista é de completa desolação, a terra revolvida , casas em chamas, dos bosques cortados as árvores sangram como os corpos dos guerreiros caídos sob suas raízes.  Os corvos se banqueteiam. – O tributo da Deusa – Reflete o Bardo, enquanto sobe ao cume; A visão da colina dos Reis em nada lhe agrada, o Rei – Ard Ri de Erin está mortalmente ferido.

Irônico como esta terra, paraíso de nossos ancestrais, onde há abundancia de víveres, onde tudo que se planta dá, exista tão miserável situação, onde o povo lubridiado por estratagemas tem a ilusão de ausência de fome, veem através de truques a fartura  ..que abastece apenas a mesa de poucos. Ainda agora se tenta impor novas leis, que proporcionarão mais abundancia a alguns, e violentará gradativamente sua mãe, a terra. Conselheiros sem conselho, dizem-se sábios mas sem sabedoria. Além de oprimir o povo tentam reduzir o luzidio, embora já escasso verde de nossa terra…E  não são poucos os que bradam por justiça…embora não há nenhum levante…não existe mais  heróis.            Aquele Rei que aqui governa, conhecedor da força das letras, mas não intimo delas, tornou o conhecimento constantemente negado ou diminuído ,embora  seja ocultado por alguns poucos bravos que o protegem , guardam e trasmitem o saber a alguns libertos da ilusão.

O Bardo se posiciona de fronte a pedra do Destino, ansioso pois sabe que o preço da Magia é o preço de si mesmo, sorri logo estará com seus ancestrais celebrando  em Hy Brasil, se põem a cantar,enaltecendo os heróis tombados, a batalha momentaneamente perdida e a glória da outrora chamada era de ouro dos Dannan. A música começa num ritmo longo e pungente se fosse outro, ele duvidaria de sua visão, mas ele entre outro nomes é  Talisien, é Amergin, é Merlin, é Catchbad; Ele é cada Bardo, cada Vidente e cada Druida de Erin, pois hoje ele invoca todos os que foram, os que são e os que serão, e o que vê é real:                  Uma dama Branca se eleva a partir da nevoa, do sangue, da glória ,das lagrimas e dos mares, e ela dança.                                                                                                                          Conforme sua música aumenta, as árvores estremecem, a terra ferida se fecha, a natureza se renova, assim como aqueles que estavam feridos, os desesperançados e os morimbundos.                                                                                                                                                      O Bardo entoa um lamento tão profundo e sentido que as Banshes vem lhe acompanhar e tão perturbadora é a melodia que desperta a outros do entorpecimento da batalha, que logo se juntam e engrossam o coro da música, promovendo as mudanças e a restauração, apenas o rei não reaparece….

Algo peculiar ocorre nas jovens terras a oeste…os guardiões do saber, acordam sobresaltados , por sonhos luminosos onde pássaros curam,  arvores dançam e o vento canta. Encontram no caminho jovens, famintos de comida e justiça, mas com novo brilho em seus olhos, – Finalmente – Pensa um dos sábios – Chegou o momento, afinal. E mesmo  os mais desinteressados e apáticos, daquele povo sofrido e desesperançado, não ficam impassíveis perante o pranto da mãe. E a destruição de seu lar. Imbuídos de novo animo e coragem seguem a planagem alta , onde fica o rei e seus vis conselheiros…

O canto daqueles que sobreviveram a batalha faz verter água da pedra do rei, o pranto soberano cobre a planíce, lavando ,levando toda desolação em direção ao mar.  O Bardo sem cessar a canção, muda o tom, acelera o ritmo, junta-se um tambor, a colina estremece.                                                                                                                                                       No lugar em que se vê a pedra da aclamação, pousa um gigantesco corvo, que se transforma na Deusa deste dia cruento e com sua arte faz a terra  abrir-se e de dentro dela, retira intacto o corpo, outrora ultrajado do Rei; nesse ato, é tal  a força empregada pela Deusa, que agita as águas que circundam a ilha, formando ondas cada vez mais altas, tirando os barcos de suas rotas, fazendo com que os mundos se agitassem e neste tempo e além dele soubessem….

Na terra do Oeste – Os guardiões são interpelados por centenas de pessoas que os procuram, buscando compreender um fenômeno sem precedentes…uma onda gigantesca  abatera-se sobre a planíce, levando, os conselheiros, o castelo e o rei embora, engolidos pelo mar.

E assim eles souberam:

Que naquele renascer , tanto nas terras ancestrais, como na jovem terra do Oeste, ultrapassando o tempo e as probabilidades, era retomada  a soberania.”

A minha explicação para este texto, neste dia:

Entre os Celtas é sabido que a Soberania é a Terra. E a terra, é a  natureza, e fazemos parte delas, assim como estas  fazem parte de nós, não importa se a selva Amazônia, ou os campos de Clontarf , ou as Megalópoles em que vivemos.

Nós sofremos e estamos cada vez mais desconectados de nós e da natureza, pois nos acostumamos a não encarar a natureza que vivemos e nos rodeia como natural.

Esta desassociação, nos distancia do natural, da integração com o planeta e gera toda sorte de problemas ambientais que temos hoje, pois não se vê mais a terra como sagrada; Se desde sempre tivéssemos mantido a crença de Homem INSERIDO e PARTE da terra, e não o de DOMINADOR, não estaríamos tão carentes do natural hoje.

Ponho no conto, como ponto primordial da mitopoese a conduta moral dos “Reis e Rainhas” pois assim o era entre os Celtas, só a integridade pode manter a soberania ao nosso lado, e ela se dá quando assumimos nosso papel como seres dentro deste planeta, como seres com responsabilidades pelo que fazemos, e assim nos tornamos íntegros, conosco e com o planeta.

A soberania e a responsabilidade com ela se aplica a todos nós, tanto individualmente como abarcando, nossos bairro, nosso País, as nações, aos Continentes, pois é a amoralidade em relação a Terra e a Natureza que nos transformou e nos pôs onde estamos hoje: Famintos como os jovens do poema. Famintos de nós, famintos de amor, famintos da terra, famintos  para fazer algo pelo planeta, pois tardiamente acordamos, ou achávamos que não era tão ruim assim, mas acordamos, e muitos outros estão recém despertos e há ainda como reverter a situação.

A Deusa e a torrente de maré que se ergue para reestabelecer Eire e seu Rei mitico, bem como levar o Rei e seus conselheiros desta era somos NÓS. Devemos agir para que os Deuses possam agir através de nós, precisamos de Bardos,Videntes, Druidas e Guerreiros que se importem mais com a integridade e a integração, do que com ego e razão.

Precisamos de quem SINTA.

Visualize o rio, lago, cachoeira que mais gosta! Lindo não? Não apenas os admire, salve-os! Pense neles, ao lavar o carro, a louça, tomar banho e deixar agua correr sem necessidade.Não basta assinar petições ,e abaixo assinados, manter a terra é aos poucos, e começa conosco é  justamente tentar a se reintegrar ,é deixar as ações tão dentro de nós que com o tempo, não precisaremos nos preocupar com o meio ambiente, pois cuidar dele e de nós será a mesma coisa.                                                                                                                         É honrar tua casa, tua rua com a mesma reverencia que falamos da preservação da amazônia.

É usar constantemente a premissa do Druidismo moderno, a salvação do planeta começa em casa:

Cura a si.Cura a comunidade.Cura o Planeta.

 

 

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Dia 02 – Cosmogonia

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Cosmogonia – “Corpo de doutrinas, princípios (religiosos, míticos ou científicos)que se ocupa em explicar a origem, o princípio do universo; cosmogênese

 

É difícil começar este tema principalmente porque não há um texto, história ou lenda celta que nos mostre, seu princípio. E talvez esta ausência seja o próprio princípio, a de que nós somos livres para crer, como quisermos, como foi o início de tudo.

Particularmente acredito em muitas coisas diferentes e todas elas tem espaço para serem reais.

  • Acredito num ovo cósmico.
  • Acredito que o mundo possa ser criado a base do Corpo de um Vanir,
  • Acredito que os mundos se originem de atritos de pó estelar.
  • Acredito que uma  tartaruga gigante está levando o Universo sustentado por 4 elefantes.
  • Acredito na sopa de OPARIM ( Hipotese levantada pelo cientista russo Alekssander Oparin, sobre os elementos existentes na atmosfera que geraram nosso universo, como uma sopa de elementos)
  • Que dragões chocam ovos e eles viram galáxias.

E Teoria minha: Acredito que algum Tataravô dos Deuses estivesse absolutamente entediado e resolveu a partir de poeira estelar (que só saberíamos disso Zilhões de Aéons a frente) e um pouco de sua barba, montar um instrumento qualquer e tocar as cordas, transformando o barulho em música, e ficou tão feliz da monotonia quebrada, que juntou sua voz , fez uma canção e saiu sacudindo e dançando, criando o mundo.

Balançou tanto que se dividiu em vários outros Tataravôs e Avós de Deuses. Juntou todos, os ensinou a fazer instrumentos e música, e fizeram uma festança, o resultado da “ressaca” cósmica, fomos nós, nossos Deuses e mundos.

E sendo assim, com a música como base de tudo acredito no que os celtas chamam de Oran Mör, a grande canção (Qualquer semelhança com a canção dos Anuir, da obra Silmarilion do Tolkien, NÃO é mera conincidencia, o Professor sabia da fonte que bebia)

Agora Brincadeiras e nerdices a Parte.

Acredito em tudo isso, pois acredito sobre tudo, que nossas crenças moldam o mundo, de acordo com o que vivemos nossas experiências e bagagens.

Lembro de uma conversa, anos atrás, num sarau cientifico onde levantou-se uma questão: Os Deuses SÃO ou ESTÃO em tudo? Se estão? Porque estamos aqui? Se são tudo, a mesma questão, por que estamos aqui? E depois de muito vinho, risadas e elucubrações, se chegou a isso:Não importa. É indiferente se estão ou são tudo, nós somos e estamos com eles, assim eles experiênciam o SER humano através de nós, e Nós o SER  Deuses, mesmo que não nos apercebamos disso.

Nós somos e estamos no mundo, desde sua criação de forma consciente ou não, e desde o momento em que tudo foi criado temos, somos e estamos como parte no grande processo.Pois o mundo, o universo não estão engessados, continuam se expandindo, se modificando, nascendo e morrendo conforme o pensamento das infinitas vidas que os habitam, ou dos Deuses que nos sonham, pois creio que tudo esta em constante mutação,dentro da Teoria do efeito borboleta, o simples bater de asas pode causar um tufão.

O que se dirá de nossas atitudes perante a vida, ao planeta e a nós mesmo.

Por isso não acredito em UMA UNICA cosmogonia ou cosmologia, e sim num crescer constante, numa mudança eterna, profunda e em novos mundos criados a cada segundo, mesmo que este seja nanoscópico e esteja dentro de nós.

 

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Dia 01 – Por que Druidismo?

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Como muitos dos que se propuseram os 30 dias, não tenho uma resposta direta a esta pergunta. As respostas são variadas, multicores e complexas.

Não sei exatamente se há apenas um porque, mas creio que o principal é: Porque amamos uma linguagem de conexão com o sagrado e em meio a tantas outras linguagens uma é aquela da alma que fala mais forte, no meu caso foi o Druidismo, mais precisamente a cultura celta , os exemplos e a vivência dos celtas Irlandeses.

Por que permaneci no Druidismo, é mais interessante e verdadeiro do que por que a escolhi. Pois escolhas quando agradáveis nos levam ao desconhecido, a novidade;  o começo, as experiências. Então escolhemos o novo, pela emoção, pela paixão, pelo tesão, pelo entusiasmo, pelo movimento.

Já havia trilhado  diversos caminhos, do Catolicismo (siiim pasmem), Espiritismo, Bruxaria tradicional, Bruxaria cerimonial, goethe e algo de Thelema e Wicca. Do Druidismo mesmo só ouvi falar anos depois, num espaço que não mais existe, e quando os mitos dos Deuses, já tomavam minha alma, onde visualizava Morrighan e Dagda cavalgando em planícies verdes, Brigid com seu maravilhoso gado e Mannannam Mac lyr em seu cavalo de ondas Anbar. Neste ponto eu já estava inebriada pelos mitos, pela cultura e pela forma de se encarar a vida, ou seja permaneci no Druidismo porque o Druidismo me deixa livre!!!

Livre  para minhas ações, para minhas opiniões, crenças e movimento.

Não a ideia ilusória que muitos têm de que liberdade é fazer o que bem se entende, ao contrário o Druidismo quando seguido de forma a se sentir, com o coração e com a alma, te prende; não com dogmas ou regras, mas com as condições e valores de uma época ancestral que de uma forma ou de outra chegou a está época, e a nós, com mudanças, adaptações, variações, de idiomas, de costumes, mas igual em essência.

Que é  o que de fato  une tantos e tantas tribos: Seu Espírito.

É impossível, para alguns tipos de alma, e eu me incluo nestas,  não se render aos conceitos de Honra, de hospitalidade, de respeito, aos Deuses, aos ancestrais, a vida em todas as suas formas,ou se entregar  a visão de sacralidade de sua paisagem, seja nas modernas cidades ou na quase intocada Tara, na infelizmente mais que maculada floresta amazônica, ou na mata atlântica, que resistem e estão aqui, com seus espíritos e força .

Sobre tudo o Druidismo me ensinou sobre mim, sobre ser eu mesma, a despeito de provações e aprovações, ser autenticamente malukete, e que esta face não destoa daquela que sou rígida e até mesmo Old School em relação a determinadas coisas, a seriedade no caminho espiritual que se escolhe, entre elas.

A liberdade conferida a mim, por mim mesma bancando minhas escolhas e ações é o que me liga a estes mitos, a terra como um todo, a esta espiritualidade e aos Deuses.

 

 

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Os 30 dias Druídicos

Há algum tempo, membros de diversos grupos druídicos nacionais e internacionais, se propuseram a escrever sobre o Druidismo, e a forma de cada um ver nossa espiritualidade em cima de alguns temas, eu comecei os meus pelo meu antigo blog segui até o 20 dia e não dei continuidade, admito que sou absurdamente indisciplinada para escrever, pois me é uma tarefa árdua tanto pelo tempo despendido para tal, como pela minha mente inquieta e dislexica. Contudo tomei para mim novamente o desafio de escrever.

Alguns dos textos serão do antigo blog, todos devidamente revisados, afinal em 2 anos muito se muda, mas no geral a essência será a mesma.

Sendo assim seguem os temas propostos, numa sequencia para um mês. Que os Deuses me ajudem a publica-los regularmente desta vez.

 Juju Aiduã

1- Porque Druidismo?
2- Cosmologia
3- Terra e Natureza
4- Três Reinos
5- Elementos
6- Espaços Sagrados
7- Prática Diária
8- Divindades e Crença
9- Ancestrais
10- Espíritos da Natureza
11- Ritual
12- Roda do Ano
13- Inspiração
14- Meditação
15- Histórias
16- Poesia
17- Ética
18- Ciência e Filosofia
19- Magia
20- Oração
21- Vida Consciente
22- Família/Amigos
23- Comunidade
24- Trabalho
25- Pisando Leve
26- Distrações
27- Um Dia Druídico
28- Caminho
29- Futuro
30- Conselhos

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