Brighid, Semana 5: Família.

Depois desta longa pausa, voltamos a programação normal com as 30 Semanas para Brighid, e oro a mesma para que não haja mais imprevistos.

Família

Para falar da da Família de Brighid e de seu nascimento, precisa-se imaginar que o assunto é tão entremeado quanto os fios num tear, pois Deusa e a Santa mesclam-se continuamente.

Na parte Celta de seus parentes encontramos mais comumente, Brighid como sendo filha de Dagda, o Bom Deus e Danu (ou Boann), fazendo parte do povo dos Deuses os Tuatha de Dannan, e esta é aparentemente, a única concordância sobre a família de Brighid.
Como tudo na cultura celta, nunca há apenas uma verdade ou uma visão, como já descritos em textos anteriores. Assim algumas lendas alegam ser Brighid a esposa de Tuireann, com quem teve três filhos (Brian, Iuchar e Iucharba), que posteriormente matam Cían, o pai de Lugh.

Já outra lenda, nos diz que Brighid tinha como marido Bres, o malfadado líder dos Tuatha De Danann. Dessa união nasce Rúadan, o qual morre em combate na Segunda Batalha de Moytura. Ao encontrá-lo sem vida, lamenta sua morte em uma tradição que viria a ser conhecida como “keening) (irlandês-caoineach), e que ainda hoje é preservada nas áreas rurais da Irlanda. Os “keenings’ eram lamentos emitidos por mulheres face ao falecimento de um membro da família ou da comunidade. Se constituíam em choros pungentes, quase bestiais, descritos por observadores como o som de “um grande número de demônios infernais”.

Da parte da Santa, segundo o Vitae Brigid ela supostamente nasceu entre 439-452 e morreu entre 518-525 da nossa era, sendo filha de um druida e uma escrava pagã.
Outros ainda atribuem seu nascimento em Faughart, Irlanda. Sendo seus pais Dubhthach, um pagão de Leinster, e Brocca, uma cristã convertida dos povos Pictos que havia sido batizada por São Patrício. Alguns contos de sua vida sugerem que a mãe de Brígida foi, de fato, galaico-sueva, raptada por piratas irlandeses e levada para a Irlanda para trabalhar como escrava da mesma maneira que Patricío.

Um fato curioso a observar é que, de uma forma ou outra na lenda cristã, a santidade ou a prova de caráter impecável de Brigid, está na sua associação a São Patrício, isso diz muita coisa sobre a força da Deusa tornada Santa, pois há claramente uma forte busca por um caráter associativo a Patrício para que não haja dúvida da conduta irrepreensível de Brigid, apesar de sua condição de mulher. Pois como Deusa, Brighid encarna , como a maior parte das Deusas Celtas, a soberania. Esta busca equiparativa a Patrício, nada mais é do que uma justificativa para seu poder e autonomia, negados as mulheres na época de então, mesmo sendo a Igreja católica da Irlanda uma das mais polêmicas e provavelmente a que mais dor de cabeça deu ao Vaticano.

Mas retomando o tema, seja como Santa ou Deusa, seu nascimento foi cercado de fenômenos estranhos, em algumas histórias encontramos a presença de dois sois no céu, que foi visto quando quando sua mãe passava pela soleira da casa,(trazendo a ideia dos limiares e fronteiras, considerados lugares sagrados para os celtas).

Outro relato é de que os que presenciaram o nascimento deste bebê de mística beleza puderam relatar que da sua cabeça surgiam chamas de cor vibrante, como se fosse uma coroa de raios solares. Alguns dias depois, os vizinhos alarmados viram labaredas saindo da casa em que os pais de Brigid moravam; mas chegando lá, encontraram a menina dormindo tranquila no seu berço e sem nenhuma marca do fogo.

Outra faceta desta lenda nos conta que num distante dia primaveril dois sóis despontaram no horizonte para iluminar o mundo. Um deles era o velho Astro-Rei que como sempre emergiu do Leste para iniciar sua caminhada costumeira pelo céu até encontrar seu descanso no Oeste, enquanto o outro anunciava o nascimento de uma filha dos Tuatha Dé Danann.
Como uma revelação do que seria o destino daquela menina no mundo a casa onde nasceu ardeu até alcançar o céu numa chama de brilho imperecível nunca desfeita em pó, competindo em pé de igualdade com a luz do Sol durante o dia e até mesmo vencendo as trevas na noite.

Para concluir, deixo abaixo uma imagem da árvore genealógica dos Tuatha Dé Danann.

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