Relacionamentos

Ou Reflexões da Juju.

                                               Com meu amor ao Tarcisio, por deixar minha alma crescer e ser meu Annan Cara.

Não é segredo que amo tudo ligado a cultura celta, sobre tudo a Irlandesa, assim leio constantemente, livros, crônicas, jornal, revistas lendas e histórias e frequentemente leio o mesmo livro e contos diversas vezes. Assim estou novamente imersa no mundo dos contos e folclore Irlandês,  tive um estalo de colocar em palavras algo que já tinha tido a algum tempo esta percepção, sobre os relacionamentos de hoje em dia, frente a clareza da mente e a nobreza de espírito da alma celta.

Num dos contos de Lady Wilde, há uma passagem em que um homem e uma mulher estão conversando sobre seu futuro relacionamento e a mulher pergunta ao homem:

“ – Harold, o que você mais quer neste mundo?

– Velejar nos barcos que construo, ter a liberdade proporcionada ao sentir o leme na mão e a condução de um navio, gostaria de singrar os mares e comercializar com outros povos.

– Sim, Vejo você fazendo isso – Diz Caolin

– Vê?

– Sim , caso, se case comigo”

A leveza como a futura esposa de Harold, conduz o diálogo para dizer-lhe que ela o ajudará e apoiará nas suas decisões presentes e futuras e que não o manterá num cárcere doméstico é tocante, e demonstra aquilo que deve ser a essência de todo relacionamento: O Companheirismo,  longe das disputas de ego, egoísmo, insegurança e outros senões que vemos nos dias de hoje nos relacionamentos.

Infelizmente o que vemos são pessoas que se casam com rivais, ou com paixões e estas quando acabam por esfriar, e se vê por baixo da película superficial dessa emoção o coração não encontra eco na alma do outro e assim o amor não é devidamente desenvolvido, desta forma a maioria da sociedade de hoje em dia, não se casa com companheiros e os ficam cerceando, impedindo o crescimento do cônjuge. Não é raro ver isso ocorrendo de ambos os lados, seja diminuindo e minando a autoconfiança daquele/a que deveria ser seu parceiro/a, como sabotando os planos do outro com frases irônicas ou depreciativas, ou o famoso “Isso é besteira” ou algo que o valha.

Percebo que no geral isso acontece quando uma das partes ( ou as duas)  não consegue êxito no próprio caminho criando assim uma dissidência onde deveria ser uma convergência ; Convergência sim, pois não é raro encontrar seu próprio brilho quando ajudamos a outrem, sobretudo se é alguém que amamos.

A grande parte dos casais de hoje não percebem que o entendimento do que é importante e caro ao outro, só aumenta o amor deste por ti, o tornar livre para seus caminhos e decisões e incentivar um ao outro, seja nos grandes ou nos pequenos planos, nos tornam cúmplices, companheiros de uma mesma jornada e caminho.

Em outra passagem vemos esta reflexão de Harold:

“Caoilin, é a mulher certa para mim, embora me pregue essas pequenas armadilhas – Harold sabia que Caoilin passará os últimos anos cuidando de um marido doente e alcólatra, então fazia pequenos estratagemas para saber que tipo de Homem ele era. – Ela é engenhosa e astuta, ninguém desconfiaria que por trás daqueles olhos expressivamente verdes e rosto plácido havia uma vontade férrea e sabe se  impor como ninguém. –  Harold antecipava o prazer de comentar com os amigos :” – Vejam!!!, Vejam o que minha esperta esposa fez e com isso melhorou nossa fazenda, ou que excelente negócio ela fez ao comerciar o gado.  – Sem dúvida – conjecturava ele – é uma Dama que se valoriza muito e quanto maior o valor que a mulher se dá, mais saborosa é a conquista e melhor a reputação do homem, Ela é orgulhosa e seu orgulho me honra. – Pensava Harold voltando de seu encontro com Caoilin”

– Seu orgulho me honra – tão diferente e distinto  de hoje onde os homens e mulheres simplesmente não conseguem suportar ou lidar com um parceiro de caráter forte, de decisões firmes, de tranquilo destemor ao desconhecido e a uma visão indômita da vida.

Tenho inúmeros amigos, homens e mulheres que tem a mesma reclamação, de assustar seus supostos parceiros, pretendentes e afins, a eles eu digo: – Nem por um momento pensem que o problema, se é que há algum – além de insegurança do outro, é de vocês, o problema ao meu ver está em como os relacionamentos são mantidos hoje em dia, pois são estabelecidos numa espécie de chantagem, chantagem sim da mais barata e emocional, coagindo um ao outro, alguns exemplos do que quero dizer:

– “ Se você for beber com suas amigas, vou no futebol” Ou “ – Se você vai sair com “aquelas” meninas do seu trabalho ( faculdade, club etc), vou sair com meus amigos.”

Este tipo de “acordo” está tão imiscuído em alguns de nós, que a pessoa sem saber, sem se perceber vai se anulando cada vez mais, até se tornar totalmente dependente do outro, ou ter um surto e terminar o relacionamento “do nada”, nunca se termina um relacionamento de uma hora para outra, podemos não nos aperceber do que ocorre no coração daquele que estamos e isso levar ao fim, e estas ocorrências nada incomuns só corroboram para minha teoria do quanto apartadas as pessoas estão de seus relacionamentos, do sentimento que ali deveria existir, para se centrar apenas em si próprios, tendo o outro como um mero troféu, uma posse,uma amostra para a sociedade que não ficou para trás, para titio ou titia, e assim inevitavelmente ocorre a traição e ao trair a pessoa com quem esta, se traí a si mesmo, pois  algo mais profundo permeia esse agir, pois em nossa sociedade não há mais confiança, não há mais honra na palavra dada, desaprendemos o valor do olho-no-olho, da confiabilidade e assim arrastamos para nossos relacionamentos esta mácula.

Engana-se quem acha que honra é um tributo ao outro, Honra é antes de tudo um privilégio e benefício seu, para você mesmo, a honra e palavra não se dá aos outros, se dá a si próprio, é o que te mantém integro, é o que te mantém fiel a você mesmo, e sendo fiel a si, se é fiel aos Deuses.

O entendimento celta do que é honra, dever e orgulho é tão diverso do que temos hoje, que só podemos lamentar ter perdido esse sentido de liberdade ao indivíduo, sem precisar tolher, sabendo que cada um pode e deve ter seu caminho próprio como ser individual, e que de forma alguma isso diminui o casal , ao contrário, tecendo para além da união de corpos o que deve ser também a união de almas, transforma o relacionamento, namoro, casamento em uma parceria e não Num cárcere.

Pois ao dar ao outro autonomia e segurança, é preciso ser e agir como pessoas maduras e bem resolvidas consigo mesmas, e esse caminho só acontece com a confiança, em si e no outro, desta forma o relacionamento finalmente amadurece e assim naturalmente segue para o companheirismo das grandes almas, e a parceria daqueles conhecidos aos celtas Irlandeses como Annan Cara.

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